Resenha da semana: a conta de luz puxou a inflação de julho, e a bandeira amarela segue em agosto

Julho foi um mês esquisito para o orçamento de casa. O mercado ficou mais barato, o combustível recuou, e mesmo assim a inflação não caiu tanto quanto podia. O que segurou a queda estava na parede, no medidor de luz.
A conta de luz foi o que mais pesou no mês, mesmo com a comida em queda
O IBGE divulgou nesta terça, 11/08/2026, o IPCA de julho, que ficou em 0,07%, contra 0,16% em junho. Nos últimos 12 meses o índice acumula 4,44%. A maior variação veio do grupo Habitação, com 0,99%, e quem puxou foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,09% depois de já ter subido 1,53% em junho. Foi o principal impacto individual do mês, 0,13 ponto percentual, segundo o IBGE. Esse número de julho já embute reajustes de tarifa de uma das concessionárias de São Paulo (8,85%), de uma das de Porto Alegre (14,89%) e de Curitiba (19,55%).
Do outro lado, o carrinho aliviou de verdade. Alimentação e bebidas caiu 0,67%, puxado pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14%. O tomate despencou 29,09%, a batata-inglesa caiu 19,59% e a cenoura, 14,41%. Para as famílias que ganham de um a cinco salários mínimos, com o chefe assalariado, o índice que mede a cesta delas é o INPC, e ele ficou em -0,01% em julho.
Na prática, o alívio veio numa conta que a família consegue mexer e o aperto veio numa que ela quase não mexe. Quando o tomate sobe, dá para trocar por outro legume, comprar no dia da feira, comprar menos. A luz não funciona assim. Ela chega pronta no fim do mês, com um número que você só descobre depois de já ter gastado.
A bandeira amarela continua valendo em agosto, e ela entra por cima da tarifa
Em 31/07/2026 a ANEEL confirmou que agosto segue na bandeira amarela, a mesma que valeu em maio, junho e julho. A bandeira amarela cobra um acréscimo de 1,885 reais a cada 100 quilowatts-hora consumidos. O motivo é o período seco, com reservatórios mais baixos e usinas termelétricas ligadas, que são mais caras.
Sozinho, esse acréscimo não quebra ninguém. O problema é que ele é proporcional ao consumo e se soma aos reajustes de tarifa que já entraram na fatura. Casa com chuveiro elétrico ligado todo dia no frio sente mais. Se a sua conta de luz subiu e você não mudou nada em casa, essa é boa parte da explicação.
Quem está no Cadastro Único pode não pagar pelos primeiros 80 kWh do mês
Essa é a parte que mais gente deveria conferir na própria fatura. Desde as contas emitidas a partir de 05/07/2025, pela Medida Provisória 1.300/2025, quem tem direito à Tarifa Social de Energia Elétrica não paga pelos primeiros 80 kWh consumidos no mês. Se o consumo do mês ficar em 80 kWh ou menos, a fatura pode vir só com as cobranças que não são da energia em si, como o ICMS e a contribuição de iluminação pública, de acordo com a ANEEL.
Tem direito a família inscrita no Cadastro Único com renda por pessoa de até meio salário mínimo. Entra também a família inscrita no Cadastro Único com renda de até três salários mínimos que tenha pessoa com doença ou deficiência cujo tratamento exija aparelho que consome energia, e idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que recebam o BPC. O benefício vale só para residência e para uma unidade consumidora por família.
O desconto é concedido automaticamente desde janeiro de 2022, ou seja, não precisa pedir na distribuidora. Mas tem um detalhe que derruba muita gente. O Cadastro Único precisa estar atualizado nos últimos dois anos, e isso é conferido na hora de conceder o benefício. Se a sua família se encaixa nos critérios e o desconto não aparece na conta, a orientação da própria ANEEL é procurar a distribuidora.
O que observar na semana que vem
Duas coisas, e nenhuma delas exige acompanhar mercado. A primeira é o anúncio da bandeira de setembro, que na virada de julho para agosto veio no dia 31/07/2026. Se ela mudar de cor, a fatura muda junto. A segunda é a sua própria conta. Pega as três últimas faturas e olha o consumo em kWh, não só o valor final. Se o consumo está parado e o valor sobe, o que mudou foi tarifa e bandeira, e aí não adianta brigar com quem esqueceu a luz acesa.
Conta que sobe devagar é a que passa despercebida, porque nunca dói de uma vez. Registrar quanto a luz comeu do mês, mês a mês, é o tipo de coisa que o Lar Azul deixa visível para a família inteira. O que fazer com essa informação continua sendo decisão de casa.
Fontes
- IPCA de julho de 2026 em 0,07%, acumulado de 4,44% em 12 meses, Habitação 0,99%, energia elétrica residencial 3,09% e impacto de 0,13 p.p., reajustes de tarifa em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, Alimentação e bebidas -0,67%, alimentação no domicílio -1,14%, tomate -29,09%, batata-inglesa -19,59%, cenoura -14,41%, INPC -0,01%. IBGE, divulgado em 11/08/2026: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/47739-ipca-fica-em-0-07-em-julho
- Bandeira tarifária amarela em agosto de 2026, acréscimo de 1,885 reais a cada 100 kWh, e motivo do acionamento. ANEEL, 31/07/2026: https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/noticias/2026-defeso-eleitoral/bandeira-tarifaria-continua-amarela-em-agosto
- Regras da Tarifa Social de Energia Elétrica: gratuidade nos primeiros 80 kWh nas faturas emitidas a partir de 05/07/2025 (MP 1.300/2025), critérios de renda e de BPC, concessão automática desde janeiro de 2022 e exigência de Cadastro Único atualizado nos últimos dois anos. ANEEL, página atualizada em 04/07/2025: https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/tarifas/tarifa-social