Resenha da semana: inflação dá trégua e endividamento das famílias para de subir

Foi uma semana de respiro pequeno pro bolso da família, e vale entender o tamanho certo desse respiro. A inflação de junho veio mais fraca, puxada justamente pelos itens que mais pesam dentro de casa, comida e combustível. E o endividamento das famílias, que vinha subindo havia cinco meses seguidos, enfim parou de crescer. Nenhuma das duas notícias resolve o mês sozinha, mas as duas mexem em decisões que você toma agora, do que vai no carrinho ao que fazer com a fatura do cartão.
A inflação de junho aliviou no mercado e na bomba, mas não na conta de luz
No dia 10/07/2026 o IBGE divulgou o IPCA de junho, e ele veio em 0,16%, bem abaixo dos 0,58% de maio. Em doze meses, a inflação acumula 4,64%. O que segurou o índice foi o grupo de alimentação e bebidas, que recuou 0,24%, com a comida de dentro de casa caindo 0,39%, a primeira queda desde novembro do ano passado. Os combustíveis também deram trégua, com o etanol 3,09% mais barato e o diesel 1,19%. Na outra ponta, a energia elétrica subiu 1,53% e foi o que mais empurrou a inflação pra cima no mês. Os dados estão no balanço do IBGE divulgado pela Agência Brasil e na cobertura da CNN Brasil.
Pra uma família das classes B, C e D, isso é bem concreto. Os dois gastos que mais mandam num orçamento apertado, o que se come e o que se gasta pra ir e voltar do trabalho, ficaram um pouco mais leves em junho. Dá pra sentir no arroz, no básico do mês, no tanque. O ponto que continua doendo é a luz, que seguiu subindo e comeu boa parte desse alívio.
Na prática, é um bom mês pra repor o essencial da despensa sem estocar por impulso, aproveitando a queda da comida, e pra olhar a conta de energia com atenção, porque foi ela que puxou o mês. Um mês mais barato não vira folga por conta própria. Vira folga quando o troco que sobrou não escorre pra outra conta.
Oito em cada dez famílias seguem endividadas, mas a conta parou de crescer
No dia 14/07/2026 a CNC divulgou a Peic, a pesquisa que mede o endividamento das famílias, com os números de junho. Depois de cinco meses seguidos de alta, a fatia de famílias endividadas ficou estável em 81,6%. A inadimplência, que são as contas que já viraram atraso, também ficou parada, em 29,9%. E 12,2% das famílias dizem que não vão conseguir pagar o que devem. No centro de tudo segue o cartão de crédito, presente em 84,7% das dívidas. Os números aparecem na cobertura do InfoMoney e no detalhamento do Poder360.
Estabilizar não é a mesma coisa que melhorar. Oito em cada dez lares ainda estão devendo, e o cartão é o eixo do problema. Quando a dívida cai no rotativo do cartão, que é o crédito mais caro que existe no país, cada mês que passa sem quitar faz o valor crescer sozinho. Antes de qualquer outra conta, vale olhar quanto do seu orçamento está indo só pra pagar cartão e juros.
Pra quem já está com o nome negativado, tem uma janela aberta e ela fecha no começo de agosto. O Novo Desenrola Brasil, lançado em 04/05/2026 pelo governo federal, renegocia dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal atrasadas entre 90 dias e dois anos, pra quem ganha até cinco salários mínimos. Os descontos podem chegar a 90%, os juros da renegociação são limitados e o valor pode ser parcelado. A adesão é feita direto no banco onde está a dívida, como mostra a Agência Brasil. Se for o seu caso, não vale deixar pra última hora, porque o prazo está mesmo acabando.
Dois indicadores vão dizer se o alívio continua
Ainda em julho sai a prévia da inflação do mês, o IPCA-15, que mostra se a trégua de junho foi um ponto fora da curva ou o começo de uma tendência. E no começo de agosto, nos dias 04 e 05/08, o Copom se reúne pra decidir a taxa básica de juros, que segue num patamar alto e é justamente o que torna o rotativo do cartão tão pesado. O calendário das reuniões está no portal BoraInvestir, da B3.
Nada disso se resolve numa única semana, e nenhum número decidido em Brasília entra sozinho no seu orçamento. O que dá pra fazer dentro de casa é mais simples, e mais sem graça. Saber pra onde o dinheiro está indo, conta por conta, mês a mês. É esse acompanhamento que o Lar Azul existe pra deixar mais fácil. O resto é olhar os índices sem susto e ajustar o que der, um mês de cada vez.
Fontes
- IPCA de junho/2026 (0,16% no mês, 4,64% em 12 meses, alimentos e combustíveis em queda, energia elétrica em alta), divulgado pelo IBGE em 10/07/2026. Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/preco-de-alimentos-recua-e-inflacao-oficial-de-junho-fica-em-016
- IPCA de junho/2026, cobertura e detalhamento por grupo. CNN Brasil, 10/07/2026: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/inflacao-ipca-10-julho-2026/
- Peic de junho/2026 (81,6% das famílias endividadas, 29,9% com contas em atraso, 12,2% sem condições de pagar, cartão em 84,7%), divulgada pela CNC em 14/07/2026. InfoMoney: https://www.infomoney.com.br/economia/ambiente-de-credito-melhora-e-endividamento-das-familias-fica-estavel-em-junho/
- Peic de junho/2026, detalhamento por faixa de renda. Poder360, 14/07/2026: https://www.poder360.com.br/poder-economia/apos-5-meses-de-alta-endividamento-das-familias-fica-estavel/
- Novo Desenrola Brasil (renegociação de dívidas, desconto de 30% a 90%, renda de até 5 salários mínimos, adesão pelos bancos), lançado em 04/05/2026. Ministério da Fazenda: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/novo-desenrola-brasil
- Novo Desenrola Brasil, cobertura do lançamento. Agência Brasil, 05/2026: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/lula-anuncia-novo-programa-de-renegociacao-de-dividas
- Calendário do Copom 2026 (próxima reunião em 04 e 05/08/2026). BoraInvestir, B3: https://borainvestir.b3.com.br/noticias/copom-tera-8-reunioes-em-2026-veja-calendario-e-projecao-para-a-selic/