Educação Financeira

Resenha da semana: inflação dá trégua e endividamento das famílias para de subir

Gilberto Lopes · 18 de julho, 2026 · 5 min de leitura
Resenha da semana: inflação dá trégua e endividamento das famílias para de subir

Foi uma semana de respiro pequeno pro bolso da família, e vale entender o tamanho certo desse respiro. A inflação de junho veio mais fraca, puxada justamente pelos itens que mais pesam dentro de casa, comida e combustível. E o endividamento das famílias, que vinha subindo havia cinco meses seguidos, enfim parou de crescer. Nenhuma das duas notícias resolve o mês sozinha, mas as duas mexem em decisões que você toma agora, do que vai no carrinho ao que fazer com a fatura do cartão.

A inflação de junho aliviou no mercado e na bomba, mas não na conta de luz

No dia 10/07/2026 o IBGE divulgou o IPCA de junho, e ele veio em 0,16%, bem abaixo dos 0,58% de maio. Em doze meses, a inflação acumula 4,64%. O que segurou o índice foi o grupo de alimentação e bebidas, que recuou 0,24%, com a comida de dentro de casa caindo 0,39%, a primeira queda desde novembro do ano passado. Os combustíveis também deram trégua, com o etanol 3,09% mais barato e o diesel 1,19%. Na outra ponta, a energia elétrica subiu 1,53% e foi o que mais empurrou a inflação pra cima no mês. Os dados estão no balanço do IBGE divulgado pela Agência Brasil e na cobertura da CNN Brasil.

Pra uma família das classes B, C e D, isso é bem concreto. Os dois gastos que mais mandam num orçamento apertado, o que se come e o que se gasta pra ir e voltar do trabalho, ficaram um pouco mais leves em junho. Dá pra sentir no arroz, no básico do mês, no tanque. O ponto que continua doendo é a luz, que seguiu subindo e comeu boa parte desse alívio.

Na prática, é um bom mês pra repor o essencial da despensa sem estocar por impulso, aproveitando a queda da comida, e pra olhar a conta de energia com atenção, porque foi ela que puxou o mês. Um mês mais barato não vira folga por conta própria. Vira folga quando o troco que sobrou não escorre pra outra conta.

Oito em cada dez famílias seguem endividadas, mas a conta parou de crescer

No dia 14/07/2026 a CNC divulgou a Peic, a pesquisa que mede o endividamento das famílias, com os números de junho. Depois de cinco meses seguidos de alta, a fatia de famílias endividadas ficou estável em 81,6%. A inadimplência, que são as contas que já viraram atraso, também ficou parada, em 29,9%. E 12,2% das famílias dizem que não vão conseguir pagar o que devem. No centro de tudo segue o cartão de crédito, presente em 84,7% das dívidas. Os números aparecem na cobertura do InfoMoney e no detalhamento do Poder360.

Estabilizar não é a mesma coisa que melhorar. Oito em cada dez lares ainda estão devendo, e o cartão é o eixo do problema. Quando a dívida cai no rotativo do cartão, que é o crédito mais caro que existe no país, cada mês que passa sem quitar faz o valor crescer sozinho. Antes de qualquer outra conta, vale olhar quanto do seu orçamento está indo só pra pagar cartão e juros.

Pra quem já está com o nome negativado, tem uma janela aberta e ela fecha no começo de agosto. O Novo Desenrola Brasil, lançado em 04/05/2026 pelo governo federal, renegocia dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal atrasadas entre 90 dias e dois anos, pra quem ganha até cinco salários mínimos. Os descontos podem chegar a 90%, os juros da renegociação são limitados e o valor pode ser parcelado. A adesão é feita direto no banco onde está a dívida, como mostra a Agência Brasil. Se for o seu caso, não vale deixar pra última hora, porque o prazo está mesmo acabando.

Dois indicadores vão dizer se o alívio continua

Ainda em julho sai a prévia da inflação do mês, o IPCA-15, que mostra se a trégua de junho foi um ponto fora da curva ou o começo de uma tendência. E no começo de agosto, nos dias 04 e 05/08, o Copom se reúne pra decidir a taxa básica de juros, que segue num patamar alto e é justamente o que torna o rotativo do cartão tão pesado. O calendário das reuniões está no portal BoraInvestir, da B3.

Nada disso se resolve numa única semana, e nenhum número decidido em Brasília entra sozinho no seu orçamento. O que dá pra fazer dentro de casa é mais simples, e mais sem graça. Saber pra onde o dinheiro está indo, conta por conta, mês a mês. É esse acompanhamento que o Lar Azul existe pra deixar mais fácil. O resto é olhar os índices sem susto e ajustar o que der, um mês de cada vez.

Fontes