Como negociar dívida no Feirão sem se enrolar de novo

A dívida negativada quase sempre está no CPF de uma pessoa só. O acordo, não. Quando alguém da casa fecha uma negociação no Feirão, a parcela sai do mesmo dinheiro que paga o mercado e a luz. Por isso o acordo do Feirão é uma decisão da família, mesmo quando só um nome aparece na tela.
E é aí que muita gente se enrola de novo. O desconto é grande e a parcela parece pequena, então o acordo sai fechado no celular em poucos minutos. Três meses depois, a parcela atrasa e a dívida volta inteira. Este texto mostra como entrar no Feirão sabendo o que você está assinando e como sair dele sem criar o próximo buraco.
Feirão Serasa e mutirão dos bancos são a mesma coisa?
Não. São duas campanhas diferentes, e saber qual é qual evita procurar a dívida no lugar errado.
O Feirão Serasa Limpa Nome é organizado pela Serasa, que faz a ponte entre o consumidor e as empresas que têm dívidas a receber. A própria Serasa diz que ele acontece duas vezes por ano. Na edição de 2026, que foi de 23/02/2026 a 01/04/2026, entraram mais de 2.200 empresas parceiras, com dívidas de cartão, loja, faculdade e conta de celular, entre outras. Fora do Feirão, a plataforma Serasa Limpa Nome continua aberta o ano inteiro, com descontos que a Serasa diz poderem ser menores.
O mutirão de negociação é dos bancos. A Febraban organiza junto com o Banco Central e a Senacon, com participação dos Procons. O primeiro de 2026 foi de 01/03/2026 a 31/03/2026. Ali entram dívidas em atraso com bancos e financeiras, como cartão de crédito, cheque especial, consignado e outras modalidades de crédito. Ficam de fora as dívidas com bens dados em garantia e as dívidas prescritas. Dá para negociar à distância, nos canais oficiais do banco ou no portal consumidor.gov.br (que pede conta gov.br prata ou ouro). Quem prefere atendimento em pessoa pode ir a um Procon participante.
Na prática, dívida de loja e de conta de consumo costuma aparecer no Feirão. Dívida de banco pode aparecer nos dois.
Antes de abrir o Feirão, descubra tudo o que a família deve
Negociar uma dívida sem saber das outras é o jeito mais comum de se enrolar de novo. Você fecha um acordo que cabe, e o mês seguinte traz outra cobrança que você tinha esquecido.
A Febraban recomenda começar descobrindo o valor atual de cada dívida no aplicativo ou no site do banco. Também indica o Registrato, sistema do Banco Central que reúne o relacionamento de cada pessoa com as instituições financeiras. É um jeito de enxergar num lugar só o que existe no seu CPF junto a bancos e financeiras.
Numa casa com mais de um adulto, faça isso para cada CPF. Uma folha, uma linha por dívida. Credor, valor, em nome de quem, há quanto tempo está atrasada. Sinceramente, essa folha vale mais do que qualquer desconto, porque é ela que mostra qual acordo faz sentido fechar primeiro.
A Febraban sugere uma ordem de prioridade que costuma funcionar. Primeiro as contas de serviços essenciais, como água e luz. Depois os empréstimos com garantia, em que um carro ou um imóvel está em jogo. Cartão de crédito e cheque especial vêm em seguida, antes dos empréstimos pessoais, que normalmente têm juros menores.
Quanto a parcela do acordo pode ocupar no orçamento da casa?
Não existe um percentual mágico. O número certo sai das contas da sua casa, e a Febraban propõe um jeito simples de chegar nele: anotar todas as entradas e saídas, fixas e variáveis, somar e ver o que sobra. O que sobra é o teto da negociação. Vale para qualquer proposta, por mais que o atendente insista que cabe.
Esse teto precisa ser decidido antes de abrir o aplicativo, com quem divide as contas junto. Quem negocia sozinho no impulso do desconto tende a aceitar a primeira parcela que parece pequena.
Se mais de uma pessoa da casa tem dívida, o teto é um só, e ele precisa ser dividido. Fechar um acordo para cada CPF sem olhar o total é como empilhar parcelas pequenas até virarem uma grande. Se a casa já tem o hábito de dividir as contas por renda, este texto sobre organizar as contas quando o casal ganha diferente ajuda a decidir quem banca o quê.
Desconto grande ou parcela pequena: qual proposta escolher?
No Feirão de 2026, a Serasa anunciou descontos de até 99% em algumas ofertas e parcelamento em até 72 vezes em alguns casos, com parcelas a partir de R$ 9,90. Quem define o desconto é a empresa dona da dívida.
Desconto alto costuma vir na proposta à vista. Parcela pequena costuma vir com prazo longo e desconto menor. Olha, as duas podem ser boas. O que pesa é se a família consegue honrar até o fim.
Algumas perguntas ajudam na hora de comparar:
- Quanto vou pagar no total, somando todas as parcelas? É esse número que se compara entre uma proposta e outra.
- Em quantos meses termina? Um acordo de 72 meses dura seis anos. É muito tempo para um orçamento ficar sem imprevisto.
- Se a família tem uma reserva parada, vale usar parte dela para pegar o desconto à vista? Às vezes sim, desde que a casa não fique sem nada para emergência.
A Febraban também lembra que dá para fazer contraproposta antes de fechar. Se a primeira oferta não cabe, recuse e pergunte por outra. Quando a renegociação vira um crédito novo, como um refinanciamento, o Código de Defesa do Consumidor exige que a oferta informe antes o custo efetivo total, a taxa de juros mensal, o total de encargos em caso de atraso e o valor das prestações. A oferta precisa valer por no mínimo 2 dias. Use esse prazo para pensar com calma.
Se a dívida é de cartão e ainda está no banco, este guia para sair das dívidas do cartão em família explica como funcionam o teto de juros e a portabilidade da fatura.
O que acontece se uma parcela do acordo atrasar?
Essa é a parte que mais enrola família. Pela regra que a Serasa descreve para o Feirão, se as parcelas ou o boleto à vista não forem pagos, o acordo é cancelado automaticamente e a dívida volta ao valor original, sem o desconto. O nome pode continuar negativado ou voltar a ser negativado.
O nome fica limpo depois da primeira parcela paga, em até cinco dias úteis, segundo a Serasa. Isso confunde muita gente. Nome limpo depois da primeira parcela não quer dizer dívida quitada. As outras parcelas continuam valendo, e é em cima delas que o acordo pode quebrar.
Por isso o melhor acordo é aquele que a casa consegue pagar até o fim, num mês ruim também. Se a parcela só cabe quando tudo dá certo, ela não cabe. A própria Febraban recomenda pagar em dia e, se possível, colocar no débito automático.
Depois de pagar, guarde o comprovante e vale conferir no aplicativo da Serasa se a baixa da negativação aconteceu no prazo. Se não aconteceu, a orientação é procurar a empresa dona da dívida.
Como não cair no golpe do boleto falso no Feirão
Em época de Feirão, aparece golpista. A Serasa descreve o golpe do boleto falso, com mensagens que copiam a identidade visual da empresa e às vezes trazem dados pessoais verdadeiros da vítima.
Negocie só pelos canais oficiais da Serasa, que estão listados no site dela. A Serasa só manda boleto por WhatsApp quando a pessoa pede.
Na dúvida, abra a plataforma oficial e confira se a oferta está lá antes de pagar qualquer coisa.
Combine isso com todo mundo da casa, inclusive pais e avós. Golpe de dívida costuma mirar justamente quem está aflito para limpar o nome.
Quando o Feirão não resolve: existe saída para quem está superendividado
Tem caso em que nenhum acordo cabe. A família paga as contas básicas e não sobra nada para dívida nenhuma. Para essa situação existe a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181, de 01/07/2021), que incluiu regras novas no Código de Defesa do Consumidor.
Por ela, a pessoa superendividada pode pedir ao juiz uma repactuação das dívidas, numa audiência de conciliação com todos os credores. Nessa audiência, o consumidor apresenta uma proposta de pagamento com prazo máximo de 5 anos, preservando o mínimo existencial. Algumas dívidas ficam de fora, como as de crédito com garantia real, de financiamento imobiliário, de crédito rural e as de contratos feitos sem intenção de pagar.
A Febraban orienta procurar um órgão de proteção do consumidor nessa situação. O Procon da sua cidade é um bom começo.
O que a família combina para não voltar a dever
Limpar o nome resolve o passado. Não voltar ao vermelho depende de um combinado da casa inteira.
O primeiro é olhar a parcela do acordo como conta fixa, do mesmo jeito que o aluguel. Ela entra no orçamento no começo do mês, antes das compras que podem esperar.
Outro é evitar dívida nova enquanto o acordo corre. Nome limpo devolve o crédito, e o crédito de volta é uma tentação. Se o cartão está no meio da história, este texto mostra como somar o que ainda falta pagar antes de assumir qualquer parcela nova.
E vale conversar antes de a conta apertar, não depois. Se o assunto costuma virar briga, estas estratégias para conversar sobre dinheiro em família ajudam a começar.
Onde o Lar Azul entra nisso
O Lar Azul organiza o dinheiro da família inteira, com cada gasto lançado no nome de quem gastou. Dá para criar uma categoria só para as parcelas dos acordos e ver, mês a mês, quanto do orçamento da casa está indo para dívida. Isso vale nos dois planos, junto com lançamentos ilimitados e categorias personalizadas.
Ele não negocia dívida por você e não puxa dados do seu banco sozinho. A conversa com o credor continua sendo sua.
Perguntas frequentes
Posso negociar a dívida do Feirão fora do período do Feirão?
Pode. A Serasa diz que a plataforma Serasa Limpa Nome funciona o ano inteiro. Durante o Feirão, as condições costumam ser mais vantajosas, mas uma proposta que cabe hoje pode valer mais que esperar a próxima edição.
Pagar a primeira parcela já limpa o nome?
Segundo a Serasa, sim, em até cinco dias úteis. As demais parcelas continuam valendo. Se elas atrasarem, o acordo é cancelado e o nome pode voltar a ser negativado.
Por quanto tempo uma dívida pode ficar no cadastro de inadimplentes?
O Código de Defesa do Consumidor proíbe que os cadastros tragam informação negativa por período superior a cinco anos.
Dívida com o banco entra no Feirão ou no mutirão?
Pode entrar nos dois. O mutirão da Febraban é só para dívidas com bancos e financeiras e pode ser feito pelo consumidor.gov.br ou num Procon participante. No Feirão, depende de o banco ser uma das empresas parceiras da Serasa naquela edição.
Fontes
- Feirão de 23/02/2026 a 01/04/2026, mais de 2.200 empresas parceiras, descontos de até 99%, parcelamento em até 72 vezes com parcelas a partir de R$ 9,90, nome limpo em até cinco dias úteis após a primeira parcela, golpe do boleto falso e envio de boleto por WhatsApp só a pedido. Serasa, "Feirão Serasa Limpa Nome 2026: como aproveitar", publicado em 16/03/2026. Ver página
- Feirão duas vezes por ano, plataforma aberta o ano inteiro, cancelamento do acordo com volta ao valor original em caso de atraso e baixa da negativação em até cinco dias úteis após o pagamento. Serasa, "Feirão Serasa Limpa Nome 2026: saiba até quando vai", atualizado em 23/02/2026. Ver página
- Mutirão de 01/03/2026 a 31/03/2026, organizado pela Febraban com Banco Central, Senacon e Procons, dívidas aceitas e excluídas e canais de negociação (consumidor.gov.br com conta prata ou ouro). Febraban, notícia de 28/02/2026. Ver notícia
- Valor atual da dívida e Registrato, teto de negociação pelo orçamento, ordem de prioridade, contraproposta, superendividamento e pagamento em dia. Febraban, dicas para o mutirão, de 01/04/2024. Ver notícia
- Informação negativa nos cadastros limitada a cinco anos (art. 43, § 1º), informações obrigatórias na oferta de crédito e validade mínima de 2 dias (art. 54-B) e repactuação de dívidas do superendividado com prazo máximo de 5 anos (art. 104-A, incluído pela Lei nº 14.181, de 01/07/2021). Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 11/09/1990, texto compilado, Presidência da República. Ver a lei